quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

ANACRONIA





Tantos e tão anacrónicos homens apontam para a natureza
enquanto evitam o crescimento de outros.
Jorram desfeitas, pelos lábios , recusas, caminhos infecundos.
Tentam crescer e afinal são ainda sementes
que nem respiraram terra.
É o jeito delicado de uns galhos, simulando que se fendem na sombra do chão
e na sobranceria de terem tamanho quando são, ainda e só, adubo.

Homens frágeis que se refugiam na textura de um campo branco e infértil
agitam-divididos- os dedos a tentar apaziguar o nevoeiro que lhes tolda o limite.
Quando o dispersam vêem pelo passado o que os distingue, nada!
Algemados pelas trevas do ego
sonham em colher do gelo o que nunca afluiu.

(Qualquer dia hei-de vê-los a deslizar sobre as mentiras que plantaram no pântano)

JFV

16/12/2014