segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Presas com grilhetas de silêncio

Presas com grilhetas de silêncio

Presas com grilhetas de silêncio
vozes de esqueletos semelhantes a cristais
quebram-se quando são domados.
É preciso preparar as cordas vocais
e gritar para sair desse estado cadavérico.
É preciso que sejam responsabilizadas
e ressuscitem em fogo e sangue
e cumpram a função de serem terra,
não alcatrão.
Animais enroscados
em gigantes lençóis
deixam-se adormecer
por outros, hediondos,
chulos de vozes dourada
e laringes viajando
no medo.
As vozes encontram-se nas esquinas
controladas por quem lhes impõe o silêncio:
Senhores de aluguer de cadeiras,
que tecem ordens
e deixam cair palavras,
perfilados em feiras-sem-fronteiras,
arrastam a pedra de Sísifo
até à eternidade de um carrossel.
E fazem da sucessão a sua ocupação.
E outros...
E mais...
E o crescendo cemitério de gente
que já só tem alcatrão na voz
e os esqueletos que se quebram
porque já não dão sentido
a um país a "evaporar-se no chão".
JFV