sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

MÃOS

Mãos

Tantas são as mãos
a sair do planeta,
mãos que saúdam
em qualquer sentido.
Tocam no abandono
a que foram votadas
ao pousarem no etéreo.
Roçam ao de leve
na face dos amigos
que lhes desenharam o mapa da vida.

Mãos em exílio de caricias,
esvaídas em gestos duvidosos
que com os seus indómitos dedos
apontam os acrobatas da democracia.

Mãos que tacteiam dores antigas
entre as linhas da memória
que liga a vida ao destino,
porque nem sabendo se existe,
fingem acreditar
para que o mistério perdure
e afague a preguiça da inteligência
de outras mãos que soltas intuem
que a liberdade está no ar
e encontram o vazio.

JFV