sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

CIRCO

 Circus-CHAGALL




CIRCO


Não me sobram os amigos,

Nem amores.

Tenho os ensinamentos do passar das décadas.

Uns e outros cada vez mais firmes.

No fundo do desgosto,

Na intermitência das distâncias.

Chegam por portas dentro do peito

Dos olhos

Da pele.

Desfilam numa pista de carne

Porque os domadores estão distantes das minhas jaulas

E das grades do meu corpo.

Sou o palhaço prestes a ficar sem o nariz vermelho

No circo de Inverno,

No vai e vem no trapézio dos afectos.

Na pista molhada de sonhos

Exercitam-se novos amigos

Novos amores

Prestes a tornarem-se ilusionistas do abstracto.

A tenda está montada.

Vendem-se ingressos de idas e regressos

Assistam!

O palhaço vai vir do luar,

O trapezista cair na inexistência

Da rede das preces,

O ilusionista tirar-me-á da cartola

Dos solitários.

Fiquem!

Os amigos e amores, chegaram.

Contorcionistas de almas encontradas

Acrescentam o meu nome aos seus

Momentos de aurora.

Não sobram muitos dias de Inverno

Ao peito

Aos olhos

À pele

Para que na carne fique eternamente gravada

Os fragmentos da solidão de um circo

Que se odeia e ama!

JFV