quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Hoje não



 Homem amarelo_Souza Campus


Hoje não me peçam palavras com sentido
Deixem-me falar com o silêncio
O que brilha num fundo incerto,
privado de coragem.
Hoje não.
Não me distraiam construindo frases
que partiriam sem nada dentro.
Deixem-me estar na capela minúscula que construí com folhas brancas
Ajoelhado perante o poema crucificado
enquanto rezo uns papéis-nossos
que nunca chegarão a ver o céu da poesia.
Hoje não
A porta da sentidos está fechada.
Enquanto isso, voo até à negação da escrita
e renuncio ao empenho da pena.
Hoje não
Hoje a vontade diluiu-se num discurso sem companhia
e numa procura que me levou a não encontrar caminhos
que me indiquem onde encontrar a musa do hoje sim!

JFV