terça-feira, 2 de abril de 2013

A AUSÊNCIA QUE NÃO PROJECTO

Pintura: The Open Door_Andrei Zadorine




Não deitei o tempo fora
nem caminho pelos desertos
que aglutinam os horizontes
em areia que ondeia
nos pensamentos mortos.

As horas arranham
as portas fechadas
que mantêm a distância
entre a ânsia do querer estar
e a ausência que não projecto.

Sinto falta de sentir
como sente a imaginação
e embarcar para longe
despejado do que não fiz
voando numa brisa
a contornar a falha
do que não se inventa
nem do que não se cria.

Impaciento-me por ser vadio
e me perder
quando o sonho
é um embarque no porto
da inexistência.
Depois quando o tempo ainda dói
e a ausência ainda me atormenta,
recebo o que resta da memória:
Portas abertas
por onde entram os amigos
que me vão construindo
com a areia que sobrevive.

JFV