segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Como me chamará o Alentejo?

Museu de Arte Popular, Sala do Alentejo, pintura mural de Estrela Faria (vista parcial)


Como me chamará o Alentejo?

Se um dia regressar
O filho de um tempo parado
Sem ter na mão um arado,
Como me chamarás?

Queria o céu,
Fugi da terra,
Fiquei entre caminhos.
Eu sim-Eu!

Ando órfão de paisagem,
Um pássaro mortificado,
De penas pretas, cansado.
Como me chamarás?

Queria o pão,
Fugi do trigo,
Cheguei a uma seara agreste.
Eu sim-Eu!

Sou uma planície vazia,
Preciso que me semeies,
Que me digas como irei.
Como me chamarás?

Queria o cimento
Fugi do barro,
Fiquei um molde inacabado.
Eu sim-Eu!

Se um dia regressar,
Como me chamarás Alentejo?
Filho?
A mim sim- A mim!


Olhão-10/02/2010