sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Vazio




Vazio

E agora?
Perco o tempo em labirintos de tristeza
no infinito do que nada reflecte, só porque de mim
sobram sensações invisíveis.
Não me avisto, não me adivinho
sou todos os objectos de uma casa desarrumada,
uma preguiça
um silêncio
e alguém distraído do presente.

E agora?
Triste mistério num coração ao acaso,
cavalgando num peito neutro
onde se rebelam forjas de emoções
e o auge de propósitos desconexos.
Não me olho, não me entendo
sou eu e toda a gente numa mesma existência,
numa sublevação obscena que me envergonha.

E agora?
O mistério para onde caminho
há-de trazer-me a punição por não vislumbrar o horizonte
e ter a mente desencontrada.
Não comando o futuro
mas sei de endereços
que ainda festejam quem amam,
e têm a consciência de todas as alegrias.

E agora?
Agora vou escrever-lhes a falar de todas as coisas
e libertar-me de um remetente que se sente a saque.
O meu!

(Ó vazio, parte e não peças licença!)



JFV