quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Vi-te sentada no poial de uma estrela





Para Ana Vassalo

Vi-te sentada no poial de uma estrela,
apanhavas fresco.
Foi num serão quente,
tão quente que o sol envergonhado
fugiu quando a lua se aproximou.

Tinhas um chapéu, lindo,
feito de raspas de nuvens.
Vestias saia de luar, esplendorosa.
Esvoaçava quando a brisa se manifestava,
formando bandeiras que saciavam
a calma do céu.
Janelas, portas, postigos
abriam-se para que entrasse
a brisa vinda do teu respirar.

Do alto da humanidade
enviaste-me o ar
que me faltava
para falar contigo,
como se de eternidade se tratasse.

Vi-te sentada no poial de uma estrela,
e a criança que ainda sou
adormeceu no teu regaço de glória
esperando que o ar fresco
me sossegasse na tua amizade.
Recordo-me que o teu chapéu, lindo,
feito de raspas de nuvens,
refrescou-me.
Vi a noite esvoaçando
e o mundo que nos fala.

JFV

29-04-2012